Doce burocracia

Sempre entendi o açúcar como um dos melhores amigos das crianças. Esta amizade nasce geralmente de um choro que ad nauseam oprime os princípios organizadores de pais e mães.

Boa coisa é amizade que se cria naturalmente, mesmo que em detrimento da paciência de alguns adultos. O Governo não conquista a amizade de uma criança com cores de embalagens e açúcar. É um daqueles pivetes que querem conquistar amigos mostrando o quanto são superiores, o quanto sabem mais ou são mais ricos. Aquele menino metido da rua de trás.

Filhinho de papai, o Governo, de cabelo lambido e roupinha engomada, adora atrapalhar a diversão das crianças.

O projeto de lei PLS 346/2018, de autoria do senador Lindbergh Farias, do PT, que tenciona proibir a distribuição e venda de refrigerantes, néctares, refrescos, chás prontos para consumo e bebidas lácteas nas escolas de educação básica públicas e privadas é uma das tentativas de entregar ao estado mais poder sobre o que antes estava sob o poder dos pais: a saúde de um filho.

Chesterton já questionava a mania dos saudáveis homens modernos de pensar que era melhor evitar a bebida alcóolica fixando a imagem de um fígado degenerado pelo álcool do que evitá-la pensando num santo. Não há dúvidas sobre qual é o método mais saudável; nem sobre qual é o mais mórbido.

Fingindo, como sempre, que se importa com a saúde de alguém, os idealizadores da lei vão se abrindo a discussões em torno da vilania daquelas bebidas, da responsabilidade que estado tem de proibir ou não o mal que assombra o recreio das crianças, etc., e enquanto os ânimos se alteram, a salivas secam e a energia se esgota, o estado vai tomando para si mais um chicote com que possa bater em diretores escolares; vai enrugando a autonomia dos indivíduos, da família e da escola. Tudo numa formidável morbidez.

O dourado zelo pelas crianças é como a primeira dose de uma droga que, absorvida, vai nos atolando na lama dos caminhos sem volta, desdoirando com suas más consequências cada vez mais patentes as cores desta bebida que o pivete engomadinho da rua de trás garantia ser superior à Coca-Cola do recreio: o amargor de mais uma lei que limita os brasileiros.

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