Programa menos médicos.

O programa mais médicos foi um sucesso. Tropas de doutores estrangeiros compareceram prontamente para nos salvar do apagão da saúde e o governo brasileiro fez sua parte pagando ao governo cubano a maior parte do salário que seria dos médicos. Chegou a hora de um novo passo: o programa menos médicos.

O funcionamento é bem simples: por ordem do MEC, através da portaria 328/2018, nós vamos parar de criar cursos de medicina, por pelo menos cinco anos. Com esta singeleza, não tem como dar errado.

Pelo que disse o presidente do Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital, você vai ter que concordar:

 Nós temos hoje 454 mil médicos registrados nos conselhos e algo em torno de 31 mil vagas de cursos de medicina. Esse controle de novas escolas é fundamental.

Traduzindo: com tanto médico por aí, se a gente não der uma freada no negócio, daqui a pouco pode ficar mais vantajoso ser marceneiro.

E é aí que, sem querer, você lembra outra categoria muito sofrida, muito injustiçada, muito criticada pela sua famigerada reserva de mercado: os advogados.

À exceção dos acidentes de trânsito – mais de um milhão por ano – o Brasil tem poucas coisas em maior número que seus advogados – também mais de um milhão. E é exatamente por isso que o mesmo MEC, com muita congruência, como seria de se esperar, apenas no mês de abril, com a portaria 274/2018, autorizou a criação 1.610 novas vagas em cursos de direito.

Mas não assuma conclusões precipitadas. Se você leu sobre a fabulosa técnica brasileira da tempestade legal, lawstoming, na versão exportação, verá que o MEC, cioso da quantidade absurda de leis que o brasileiro tem pra ler, aplicar, interpretar, entender, confundir, torcer e esquecer, decidiu que precisamos mesmo é treinar todo mundo na arte jurídica pra ver se coloca um pouco de ordem nessa coisa.

Só mesmo muito amor pelo Brasil pode dar tanto discernimento aos nossos burocratas.

Nota

Se achou estranho os links para as portarias não apontarem para o sítio eletrônico do MEC, isto se deve ao fato desse importante ministério também nos querer poupar o sofrimento da leitura e por isso não expor as portarias citadas em seu portal, como você pode ver aqui.

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Rodrigo Martins Barbosa

Há alguns anos precisa de duas colunas do soroban para contar o tempo de advocacia. Vítima de lesão por legislação excessiva, não consegue mais acender os faróis do carro durante o dia desde a aprovação da lei 13.290/2016.